Capital do estado de Santa Catarina, onde vivem em torno de 400.000 habitantes, está localizada em uma ilha com mais de cem praias banhadas pela águas azuis, verde-turquesa, transparentes do Oceano Atlântico.

Em outros tempos chamava-se “Ilha de Santa Catarina”, pois o fundador do povoado, Francisco Dias Velho, aqui chegou no dia de Santa Catarina.

Na  “Proclamação da República”, a vila passou a ser cidade chamando-se “Desterro”. Esse nome desagradou os moradores, pois lembrava “desterrado”, exilado, como os presos que eram mandados para lugares ermos.

Com o fim da Revolução Federalista, em 1894, em homenagem ao então presidente da República Floriano Peixoto, o nome foi mudado para Florianópolis.

Hoje a cidade é amplamente conhecida por Floripa, e é a quarta cidade brasileira com a melhor qualidade de vida.

Em 2007 tinha uma população de 396.723 habitantes, sendo o segundo município mais populoso do estado, Joinville é o primeiro.

Construída em 1926, a ponte Hercílio Luz (cartão postal da cidade) foi a primeira ligação rodoviária entre a ilha e o continente.

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As ilhas costeiras de Florianópolis

Ao norte – Ilha Ratones Grande e Ratones Pequeno

Duas ilhas marítimas a noroeste, entre Florianópolis e o continente. Há suspeitas de que Juan Dias de Solis as nomeou em 1514, ou Álvar Núñez Cabeza de Vaca, em 1541, quando aportou na Ilha de Santa Catarina na época em que ainda era chamada Meiembipe pelos indígenas.

As ilhas lembram dois ratos deitados no mar.

Em Ratones Grande encontra-se a Fortaleza de Santo Antônio de Ratones

Ao centro – llha do Xavier

Próxima da costa, frente à Praia Mole, preserva as características da mata nativa e abriga aves costeiras de diversas espécies. É visitada por mergulhadores e pescadores.

Ao sul – Ilha do Campeche

Vista a partir da praia do Campeche, tem cerca de 1500m e na leste-oeste 500m. Além de uma praia excelente com areia fina e branca, pode-se mergulhar nas águas transparentes junto aos costões.

Foi ocupada por povos indígenas e lá existem algumas inscrições rupestres interessantes.

O acesso a ela é feito por baleeiras que partem do canto da Praia da Armação

Extremo sul – Ilha dos Moleques do Sul, Três Irmãs e do Coral

A ilha do Coral pode ser vista de Naufragados. O acesso é permitido. O desembarcar que nas outras duas é precário e perigoso, mas possível.

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Lagoas de Florianópolis

Lagoa do Peri

No caminho da praia da Armação, a Lagoa do Peri é imperdível para quem visita a Ilha de Santa Catarina.
Logo na chegada há uma praia e em torno da lagoa há as trilhas.

Conta com estrutura para receber visitantes: estacionamento, banheiros, churrasqueiras, lanchonete e posto salva-vidas.

A área é sensível pois é um dos pontos onde a vegetação está mais preservada na Ilha.

Áreas em torno da lagoa a Costa da Lagoa são muito utilizadas para pesquisas.

Um engenho de farinha e um de cana-de açúcar estão abertos à visitação. Pode-se usar embarcações não-motorizadas na lagoa e a pesca é permitida somente com linha e vara de pescar.

Lagoa da Conceição

Em 19 de junho de 1750 foi criada oficialmente a freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, uma das mais antigas do estado (veja mais detalhes sobre e história da Lagoa e dicas do que fazer na Lagoa da Conceição)

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Arquitetura de Florianópolis

Imperdível é passear pela ruas do centro, como a Conselheiro Mafra com suas inúmeras casas de cores fortes onde comerciantes oferecem todo tipo de necessidades do dia a dia e retornar pela Felipe Schmitt, a rua mais importante do centro da cidade, ponto de conversa, negócios, o lugar onde se vê o típico morador da ilha.

Seguir até a Praça XV de Novembro, visitar a Catedral Metropolitana cuja obra iniciou em 1748,
o Palácio Cruz e Sousa que foi construído no século XVIII para ser residência dos governadores no tempo da Colônia e o Teatro Álvaro de Carvalho, inaugurado em 1875.

Muito interessante é conjunto arquitetônico compreendido pelos prédios da Antiga Alfângega (de 1876) e do mais recente Mercado Público (de 1899) substituindo o anterior.

Santo Antonio de Lisboa ainda guarda alguns traços de arquitetura colonial. Vale a visita pela localização junto ao mar, um lugar muito agradável. Seguindo pela estrada que serve a localidade, chega-se a Sambaqui.

Ribeirão da Ilha é a primeira localidade de Florianópolis a ser habitada, no século XVI. Os primeiros navegadores portugueses e espanhóis chegaram por volta de 1506. A freguesia conserva arquitetura portuguesa típica da colonização com cores delicadas. O mar lá é muito calmo com uma atmosfera de grande tranquilidade.

Há vários restaurantes junto ao mar com grande oferta de frutos do mar, principalmente ostras, que são cultivadas na região.

No caminho para o Ribeirão da Ilha encontra-se a Igreja Nossa Senhora da Lapa construída em 1763

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Fortalezas de Florianópolis

Diversas fortalezas foram construídas no século XVIII, pois a ilha de Santa Catarina era um ponto estratégico de apoio à navegação bem como de ocupação do território do sul da américa.

As principais delas são a Fortaleza de Santa Cruz na ilha Anhatomirim, a Fortaleza de São José da Ponta Grossa e a Fortaleza de Ratones, muito interessantes do ponto de vista arquitetônico e no que se refere à sua localização conhecido como triângulo defensivo da Barra Norte da ilha.

São conjuntos de arquitetura militar muito bem conservados. Atualmente essas fortificações se tornaram atração turística e são visitadas por milhares de turistas todos os anos.

Além dessas três, temos o pequeno Forte de Araçatuba na passagem sul da ilha, próxima à Praia do Sonho, é de difícil acesso.

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História de Florianópolis

A ILHA
Nas primeiras décadas do século XVI, diversos navegadores visitaram a Ilha de Santa Catarina.

Em 1526, Sebastião Caboto que se dirigia para o Pacífico batizou a Ilha, em homenagem à sua mulher, Catarina Medrano, ou, à Santa Catarina de Alexandria.

Apesar da existência de outras denominações, o nome acabou consagrado nos mapas cartográficos que orientavam os navegadores.

Os índios Guarani (Carijó), que aqui viviam, travaram relacionamento amistoso com os primeiros navegadores europeus.

A Ilha tornou-se uma referência para comandantes e marinheiros, que ali refaziam suas energias, reparavam e abasteciam seus barcos.

As baías abrigadas, a paisagem, a fartura de alimentos e a amabilidade dos indígenas deixavam os europeus deslumbrados com este pedacinho de paraíso tropical.

Os Carijó rapidamente foram aniquilados pela violência do contato, mas o entusiasmo com as belezas da Ilha continuou a ser mantido por muitos outros viajantes, nos séculos seguintes.

Além dos navegadores e dos caçadores de índios que abasteciam o mercado de escravos de São Paulo, religiosos de diversas ordens realizaram missões de conversão entre os índios do litoral Sul.

A Ilha tornou-se ponto de passagem dessas incursões e, aos poucos, a presença portuguesa foi se afirmando.

Francisco Dias Velho iniciou o povoamento da Ilha, na segunda metade do século XVII.

Portugal tinha interesse na expansão da Colônia em direção ao Rio da Prata, razão da concessão de terras e do estímulo à criação de novas povoações. No século seguinte, a metrópole portuguesa decidiu pela fortificação da Ilha e pela localização de emigrantes açorianos.

Após a invasão espanhola em 1777, a Ilha e boa parte da região Sul acabaram reconhecidas, através de tratados, como sendo de Portugal.

A presença dos açorianos dinamizou a pequena cidade de Nossa Senhora do Desterro, local de residência do governador, dos funcionários, do comando militar, dos padres responsáveis pela assistência religiosa, e dos comerciantes envolvidos no abastecimento dos barcos em trânsito, e de outros moradores.

Aos poucos, as freguesias criadas para sediar os açorianos no interior da Ilha, e no litoral fronteiro, começaram a ter um excedente de produção que incrementou o comércio.

A construção das fortalezas e as ameaças de guerra com a Espanha aumentaram o número de militares aqui estacionados.

Desterro e a Ilha se afirmaram como base estratégica do domínio português na região Sul.

A denominação de Santa Catarina para a Ilha se estendeu também para a província. Tanto a cidade como as freguesias tinham como referência uma praça central, onde se localizavam a igreja, a casa de governo, residências de burocratas ou de comerciantes.

O casario era baixo, em estilo colonial português. Muitas vezes, as casas eram geminadas, tendo uma porta de entrada e uma ou duas janelas à frente.

Outras vezes, as construções eram mais imponentes, localizadas em terrenos avantajados, revelando o poder econômico mais expressivo de seus proprietários.

Bem mais tarde, surgiram os primeiros sobrados, nas ruas centrais da cidade. Hoje, tanto no centro da capital, como em localidades como Ribeirão da Ilha, Santo Antônio e Sambaqui, o visitante pode apreciar alguns exemplares dessas construções, bem como o plano urbano que as orientou.

São verdadeiras relíquias arquitetônicas, nem sempre preservadas com a atenção devida.

Os açorianos marcaram a Ilha com sua cultura, folclore e atividades econômicas.

As belezas da Ilha sempre atraíram as atenções dos viajantes. O contraste do verde das montanhas com o azul do mar, a beleza das florestas, os espetáculos do nascer e do pôr- do-sol, ou da lua, as praias ainda preservadas da ocupação humana, as fortes ondas da Mole e da Joaquina, os ventos que vêm do Sul, as lagoas da Conceição e do Peri, os cheiros da maresia, do mercado público, das cozinhas das casas e dos restaurantes, as freguesias do interior, o artesanato, as festas e o folclore, os sítios arqueológicos e os museus, a modernidade presente na arquitetura de aço da ponte Hercílio Luz, a avenida beira-mar, os novos bairros… enfim, o povo e a Ilha continuam a atrair estrangeiros e nacionais, turistas ou não.

Mitos, sonhos e idealizações, positivos e negativos, aparecem nesse cenário extraordinário, que temos a sorte de viver no dia-a-dia.

Texto de Silvio Coelho dos Santos